CAPÍTULO 5
A propriedade da família de Givan era muito diferente de onde viera Jacquelline. Ainda muito jovem, ele a herdara de seu avó e devido às desavenças com o pai, instalou-se ali como forma de se afastar da família. A esposa sabia que ele tinha uma irmã mais velha que dificilmente os visitaria embora tenha ocupado o lugar de mãe de seu marido, após a morte desta.
Viviam em um casarão antigo, um pouco próximo de um lago e um tanto afastado dos parentes vizinhos.
A cada dia crescia o ventre de Jacque e o carinho entre os dois. Dormiam durante toda a noite abraçados e não era raro que um acordasse o outro entre beijos somente para contar-lhe o quanto era amado. O despertar era a promessa de mais felicidade e mais motivo para estarem próximos um do outro. Quando Givan tinha de resolver algum problema distante de sua esposa, as horas se arrastavam e ambos corriam com seus afazeres, esta para não enlouquecer de saudade, aquele para voltar correndo aos braços sonhados.
Quando estavam juntos riam das menores situações, caminhavam na relva como antes, no entanto, agora mais lentamente pelo avanço da gravidez e abraçados, viam, em silêncio adorado, o pôr do sol.
Givan era um homem brilhante, mas rústico para demonstrar seus sentimentos, estava a cada dia mais emocionado pelo filho que viria, mas muitas vezes não sabia como expressar esse amor que já transbordava em seu peito. Como forma de expor esse sentimento, acariciava diversas vezes o ventre crescido de sua esposa e tentava, através de suas mãos, passar ao filho o quanto ele era amado e esperado. Em segurança, Adrian sabia que seria muito bem-vindo e completaria a felicidade de seus pais. O filho já era parte deles como se, mesmo antes da concepção, ele já completasse a vida dos dois.
E assim seguiram os sóis e as luas. A gravidez transcorrera normalmente, a jovem mãe pouco engordara e estivera bem disposta até pouco antes de seu filho ver o brilho verde de seus olhos.
Era uma noite do segundo mês no início daquele ano de 18.., dormiam com a janela aberta sob a luz da Lua, que entrava prateando o quarto, quando Jacquelline sentiu as primeiras dores do parto. Givan, marido e pai dedicado, já deixara de sobreaviso na região uma parteira que os ajudaria. Não abandonaria Jacquelline naquele momento por nada, pediu a um empregado que buscasse a ajuda e ficou acalmando sua esposa enquanto tentava controlar seu próprio nervosismo.
Ao chegar, a mulher tratou de expulsar o homem do quarto e pôs-se a fazer seu trabalho com eficiência. E foi assim, após algumas horas de dor, chegou a felicidade e mãe pôde segurar o filho em seus braços. Era a criança mais linda que os pais já haviam visto e essa beleza aumentava a seus olhos a cada dia.
O mundo passou a girar em torno do menino.
O primeiro abrir de olhos...
O primeiro sorriso...
O primeiro susto...
O primeiro sentar...
O primeiro engatinhar...
O primeiro andar...
Mas sempre... sempre!.. o abraçar e beijar.
Enquanto o pai trabalhava organizando os afazeres, a bebezinho era cuidado pela mãe.
Alguns domingos visitavam a tia Noelle, mas ela andava envolvida com os preparativos para seu próprio casamento que aconteceria em breve, por isso cada vez mais seguiam suas vidas nas brisas azuis do lar.
Adrian era muito apegado à mãe, mas sua grande fascinação era o pai. Este procurava, mesmo estando muito ocupado com colheitas e ordenhas, estar sempre em casa com o filho. Muitas vezes, a mulher não os encontrando dentro de casa, da varanda via-os passeando pelo campo, era a expressão da felicidade com o filho sentado em seu ombro. À noite Givan que o fazia dormir, embora não fosse raro encontrá-lo adormecido entre o casal.
A esposa era uma boa dona de casa, embora meio atrapalhada com tantos serviços que uma criança pequena requer, no entanto sempre pôde contar com o socorro do marido.
Foram anos em que a colheita era o amor e a paz.
As inseguranças de Jacque não tinham de todo desaparecido. Quando contou à tia sobre sua gravidez, ela dissera, na época preocupada com o futuro incerto da sobrinha, que Givan só se casaria com ela porque estava grávida. E isso muitas vezes vinha em sua mente, mas afastava com veemência ao ver a felicidade que desfrutavam. Ela pouco sabia da família do marido, não compareceram ao seu casamento e ela nunca encontrou nem sequer uma correspondência entre eles. Com receio de falar sobre algo que o ferisse , ficava em silêncio na esperança de um dia que ele falar algo.
Passaram bons e maus momentos juntos. Noelle sofreu muito pelo rompimento de seu noivado e Givan mostrou-se um grande amigo. Jacquelline ficou muito triste com tudo o que aconteceu com o casal, ela tornara-se também amiga do noivo, Daniel. Como apoio, a presença na propriedade dos Vallee tornou-se mais assídua.
Certa vez um telegrama mudou a rotina dos Galle.
Era de Fratelli.
A companhia que apresentaria Shakespeare estava em Nice fazendo a seleção e a mensagem indicava o dia, a hora e o lugar em que precisavam se encontrar.
O teatro não era algo que Jacquelline apreciasse, fazer teatro fazia parte dela. Givan, conhecendo-a como a conhecia, apoiou-a completamente.
Ele a levaria e a ajudaria no que fosse preciso, quando ela estivesse ausente, cuidaria de Adrian. O que intrigava a mensagem é que Fratelli havia dito para ela chegar vestida de homem e usar o nome de seu irmão- Jacques.
Enfim, lá estavam todos na hora marcada e no local. Jacquelline jamais deixaria de cumprir uma orientação da amiga, sabia que deveria ser importante.
Fratelli estava praticamente irreconhecível de homem e quase conseguiu enganá-los se não fossem aqueles olhos e seu jeito eufórico. Após falarem um bom tempo ao mesmo tempo que riam, se abraçavam e fofocavam, a italiana explicou que selecionariam somente homens para o espetáculo. A indignação das duas estava evidente ao marido que se divertia assistindo-as enquanto saboreavam um delicioso café nas redondezas do teatro. Agora tratava-se de uma questão social, precisavam conseguir o papel e provar que uma mulher pode ser tão boa ou até melhor que um homem. Entravam em ação novamente “As Meninas Fratelli”.
O mais difícil foi imitarem meninos nos bastidores, mas quando estavam no palco foram indiscutivelmente as melhores ou "os" melhores. No final, quando foi anunciado que conseguiram os papeis, ambas tiraram suas perucas e maquiagem e mostraram a todos que eram meninas. Apesar da raiva de muitos, a ousadia fez o diretor sorrir e admirar ainda mais as duas atrizes à sua frente.
Estavam no espetáculo “A Megera Domada”de Shakespeare.
Finalmente chegou o dia do espetáculo. Na última semana, foi necessário que permanecesse em Nice. Hospedou-se junto com Fratelli. Givan e Adrian vinham visitá-las, mas pelo filho ser ainda muito pequeno, Givan ficou a maior parte do tempo na fazendo cuidando dele.
Finalmente chegara a estréia. Primeiro Jacquelline maquiaria Alexia e depois seria maquiada pela amiga. Estavam muito nervosas, a apresentação seria no teatro mais tradicional da Provença e toda a alta sociedade estaria presente. A noite seria decisiva para a carreira de ambas, sabiam que, naquela noite, pela brilhante atuação, alcançariam o sucesso talvez até fora dos limites franceses.
Quando estavam prontas, a porta abriu-se e disseram que alguém queria falar com Jacquelline.
A jovem assustou-se a ver, no final do corredor, totalmente transtornado o ex noivo de Noelle.Correu até ele.
- Daniel?! O que houve? Aconteceu alguma coisa?
- Ainda não, mas vai acontecer.
- O quê?!! E com quem?
- Com a Noelle! Precisamos fazer alguma coisa!
- Calma, me explique o que está acontecendo.
- Sua tia é muito poderosa e tem diversos inimigos, você sabe...
- Eu sei disso, fala logo!
- Ela está vindo assistir o espetáculo e há uma emboscada preparada para matá-la.
- O quê?!!!!!!!!
- Sim, precisamos avisá-la!
- Mas por que você não foi direto lá, ela já deve estar vindo?!! Eu sei que virá com o irmão e a cunhada!!! Meu Deus!!! Você devia ter ido diretamente avisá-la!!
- Você se esqueceu de que não me deixam entrar na propriedade e, depois de ter agido mal com ela, não acreditariam em mim?!!
- Daniel, isso é muito sério! O que faremos?
- Podemos ir nós dois alertá-la, ela ouvirá você.
Jacquelline olhou para o corredor que a levaria até o palco, mas o momento de hesitação foi muito rápido. Sem avisar ninguém, saiu pelos fundos do teatro e nunca mais retornou ao palco como atriz.
CAPÍTULO 6
Embora a carruagem aproveitasse todos as forças dos belos cavalos, parecia que caminhavam em meios passos. Não viam nada, somente as folhas das árvores mal alumiadas pelo tênue luar, única luz a clarear a estrada.
Andaram um longo tempo e nada encontraram, rezavam para que Noelle ainda estivesse na fazenda, mas ao chegar aos limites onde ficava um vigilante, soube que ela saíra já há muito tempo, Jacquelline deixou-os a par do que estava acontecendo e retornou ao veículo onde estava seu acompanhante.
- Daniel, há outro caminho que ela poderia ter seguido?
- Não, Jacque, só há este para Nice.
A moça estremeceu.
- Temos então de voltar e procurar algum vestígio de desvio na estrada.
- Sim, eu sei.
Ambos estavam com ares sombrios pelo que provavelmente os esperava.
O rapaz deu ordem ao cocheiro para seguir à cidade e foi ao seu lado buscando algum indício que lhe desse alguma pista se algo ocorrera. Foi Jacque, que olhava pela estreita janela, que viu um rastro desviando-se para a floresta.
Pararam; Jacque, ainda mais assustada ao ver uma arma nas mãos do amigo, seguiu-o em silêncio. Nada se ouvia, entretanto foram seguindo alguns sinais de recém passagem por ali, entraram no bosque, o luar parecia mais claro por ali. Não precisaram andar muito tempo, logo avistaram uma carruagem parada. Foram cautelosos ao aproximarem-se e a reconheceram como sendo de Noelle...contornaram-na lentamente, Daniel trazendo a amiga pelas mãos, e foram ficando petrificados com a cena que se mostrava, o velho cocheiro da família havia sido arrastado à frente do veículo e estava imóvel pelo estrangulamento que o matara, próximo dali encontraram dois corpos ensanguentados- Jacquelline recoheceu-os como o irmão e a cunhada de Noelle - voltaram seus olhares para além da carruagem e viram pés femininos, chegaram mais perto e a imagem da bela loira com um ferimento de punhal no pescoço, apresentou-se a ambos. Jacquelline jamais havia sentido tanto terror, nem mesmo quando vira a mãe desfalecida. O sangue banhara todo o corpo pálido de Noelle cravando irreversivelmente a cena dantesca na alma de quem a presenciara . A dor da perda fez-se concreta naquele instante e ali permaneceram- ela em prantos, ele em choque - até que os serviçais, anteriormente alertados por Jacquelline, os tiraram daquela imagem tétrica.
Jacquelline mal soube como passara aqueles dias. Por ser parente, voltou à mansão umas três vezes antes desta ter sido vendida, no entanto guardou em seu coração todos os momentos que ali vivera com todos que amara.
CAPÍTULO 7
O tempo cicatrizou as feridas e os dias voltaram a ser alegres. Sobre o espetáculo, o garoto que a substituíra estava longe de superá-la , mas isso não impediu que Alexia brilhasse em Veneza; naquela mesma noite, esta recebeu uma proposta irrecusável de uma companhia italiana. A saudade de sua eterna amiga a acompanhou até seu leito de morte.
Os tempos, no entanto, são tempos felizes...
Adrian era cada dia mais amado e estava cada vez mais lindo. Tinha os cabelos com cachos entre o castanho-escuro e o negro, em seus olhinhos herdara o verde de sua mãe, porém mesclado com a tonalidade de seu pai. Era dócil e esperto ao mesmo tempo, sempre estavam brincando, se abraçando e raramente os pais precisavam chamar-lhe a atenção.
Um dia , porém, Adrian, já com 4 aninhos, brincava com Jacquelline no quintal. Estavam próximos ao poço que abastecia a casa. A mãe pegou o filo no colo entre beijos e brincadeiras e sentou-o na coluna de sustentação da abertura e jogou o balde para pegar a água. Quando a vasilha já estava quase chegando, Adrian, com a destreza de uma criança, virou-se para ajudá-la a puxar a corda e em um gesto muito rápido perdeu o equilíbrio e em confusão com os braços de sua mãe, caiu...caiu dentro do poço profundo. A mãe, em desespero e gritos, viu-o afastando-se cada vez mais de seus braços para todo o sempre. A água que subira com a queda da criança lavou a sanidade da que àquela cena, em profundo desespero, assistia.
Ninguém estava por perto e, entre gritos e prantos, conseguiu encontrar o cocheiro que viera ampará-la, avisados pela senhora que o acompanhava, em segundos que lhe pareceram horas todos rodeavam o poço na vã tentativa de ainda salvar a criança. Givan, que estava trazendo provisões para casa, chegou quando o corpo de Adrian já havia sido retirado do poço. Jacquelline não saberia dizer qual dor era maior- se a da perda de seu único filho ou a que viu nos olhos de seu marido.
Nada mais tinha a fazer naquela casa, perdera seu filho amado, não cuidara direito do filho de Givan, precisava ir embora dali. Ela jamais se perdoaria por isso.
CAPÍTULO 8
No primeiro dia que Givan precisou ausentar-se após a tragédia, Jacquelline com praticamente a roupa do corpo partiu, em uma velha carruagem já de pouco uso, para a região sombria de Nice. Vendeu, a um preço irrisível, o cavalo e tratou de buscar um local que pudesse se abrigar.
Após andar por horas, entrou em uma taverna para descansar um pouco. Soube que tratava-se de um bordel, mas que o dono tinha quartos para alugar por um bom preço e não muito distante. Instalada, noites e dias se misturavam pelo vinho, no entanto o pouco dinheiro de Jacque estava acabando. Quando anestesiada pela bebida, conseguia assumir um personagem não depressivo como estava e fazia amizades conseguindo até mesmo rir. Uma delas foi-lhe a verdadeiramente apreciada, Josephine, uma das garotas do bordel. Era diferente das outras, apaixonara-se perdidamente por um dos mais ilustres frequentadores do local- um duque. Estava certa de que ele a tiraria dali e se casariam, passava horas contando suas aventuras para Jacquelline. Ambas estavam ligadas pelo infortúnio, mas Josephine ainda tinha a esperança de um futuro feliz.
- Mounsier Frontin está procurando uma cantora para o bar, eu o ouvi pedindo à Madame que lhe indicasse uma de nós. Você poderia tentar.
- Sim, aprendi a cantar no convento.
- Você era freira?!!!
- Não, claro que não.Mas seria só cantar mesmo ou algo mais?
- O algo mais depende de você..
- Não vou me prostituir, mas preciso de dinheiro.
Jacquelline conseguira o emprego de cantora e enquanto os fregueses sentavam, bebiam e escolhiam as mulheres para a noite, ela chorava as dores de sua alma naquele palco. Às vezes via aqueles olhos azuis seguindo-a na penumbra , mas estava tão embriagada que nunca conseguira saber se não eram alucinações. Às vezes acordava nos braços de homens que jamais vira, homens que o ópio ajudara na escolha.
Em uma das noites tentara manter a sobriedade por um longo tempo, tratava-se de uma ocasião especial. Josephine descobrira estar grávida e contaria ao duque. E o fez na frente de todos. E na frente de todos ele desmoralizou-a, humilhou-a, negando qualquer envolvimento amoroso ou mesmo de conhecimento com sua amiga. Se tivesse conseguido ficar um pouco mais tempo sóbria, Jacquelline teria reparado que a boca dizia uma mensagem diferente de seus olhos amargurados.
No outro dia, Jacquelline foi despertada em seu cubículo por uma das criadas do bordel. Josephine suicidara-se na madrugada anterior.
Cada vez mais seus dias ou noites turvavam-se entre risos de um menino de olhos verdes, tabacos, vinhos e aquelas olhos azuis que jamais a deixavam. Ao ver sua alucinação cantava suas dores olhando para ela e era quando mais a aplaudiam. Percebia, cada vez mais, que vinha uma mulher roubá-los e a odiava por isso. Era tudo que ainda tinha e uma desconhecida os roubara dela.
Não tinha lucidez suficiente para compreender que a irmã de Givan sacrificara uma vida com sua própria família para cuidar do irmão que jamais superou a perda do filho e da esposa. Essa dívida de gratidão guardaria com ele até que pudesse saudá-la.
Parecia fácil embriagar-se, bebia e fumava o salário da casa. Os momentos mais difíceis eram a vinda no outro dia até a taverna mais próxima para assim anestesiar-se o mais rápido possível. Não conseguia superar poucos minutos de lucidez. Naquela manhã passou em uma venda de onde levou para o quarto uma garrafa e um frasco de veneno.
A madrugada envelhecia e Jacquelline ainda não dormira, o rum embrulhava seu fígado exausto impedindo-a de desmaiar, as lembranças tornavam, o grito de Adrian ainda podia ser ouvido, precisava beber mais, tantas e tantas vezes as palavras reviravam-na “se eu tivesse segurado direito..”, “não deveria ter ido pegar água...”, “deveria tê-lo deixado dentro de casa.”, “Givan jamais me perdoará, eu matei o filho dele...o meu filho... o nosso filho.”
Olhou em volta da velha cama de casal onde estava deitada no cubículo imundo que a abrigava, a visão turva pelas lágrimas de repente clarearam-se com a visão de um objeto...
Os olhos verdes ainda com brilho se voltaram ao líquido da garrafinha que comprara naquela manhã. Sem pensar, Jacquelline tirou a minúscula rolha que a impediria de morrer e sorveu-o todo, irreversivelmente, de uma só vez.
Texto de Della Coelho
Imagens: google.com

"No sagrado mistério da vida, cada coração possui no infinito a alma gêmea da sua, companheira divina para a viagem à gloriosa imortalidade.
Criadas umas para as outras, as almas gêmeas se buscam, sempre que separadas. A união perene é- lhes a aspiração suprema e indefinível. Milhares de seres, se transviados no crime ou na inconsciência, experimentam a separação das almas que os sustentam, como a provação mais ríspida e dolorosa, e, no drama das existências mais obscuras, vemos sempre a atração eterna das almas que se amam mais intimamente, evolvendo umas para as outras, num turbilhão de ansiedades angustiosas, atração que é superior a todas as expressões convencionais da vida terrestre. Quando se encontram, no acervo dos trabalhos humanos, sentem-se de posse da felicidade real para os seus corações a de ventura de sua união, pela qual não trocariam todos os impérios do mundo, e a única amargura que lhes empana a alegria é a perspectiva de uma nova separação pela morte, perspectiva essa essa que a luz da Nova Revelação veio dissipar, descerrando para todos os espíritos, amantes do bem e da verdade, os horizontes eternos da vida.
A ligação das almas gêmeas repousa, para o nosso conhecimento relativo, nos desígnios divinos, insondáveis na sua sagrada origem, constituindo a fonte vital do interesse das criaturas para as edificações da vida.
Separadas ou unidas, nas experiências do mundo, as almas irmãs caminham, ansiosas, pela união e pela harmonia suprema, até que se integram, no plano espiritual, onde se reúnem para sempre na mais sublime expressão de amor divino, finalidade profunda de todas as cogitações do ser, no dédalo do destino." (O Consolador ns. 323 e 327 - Immanuel)
