segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

MEU SENHOR! MEU TUDO! MEU EU!


Givan, meu sonho, meu senhor, quanta saudade que sinto!
Quantas lembranças nossas que vejo.
Calada, suplico forças para chegar ao fim deste infinito desespero.
 
Se penso em ti, a saudade me esmaga.
Se tento não pensar, sinto que enfraqueço.
 
Que sina essa em viver tentanto te esquecer e buscando no vazio te encontrar?!
Amo-te tanto que esse amor é mais certo que minha incerta existência.
Tua presença só não é mais sólida que tua ausência.
 
Há um mundo que me envolve, no qual nele eu te toco, te sinto, te beijo...
Loucura insana talvez criada para a própria sobrevivência.
Este amor tão intenso que transborda em meus olhos, em minha alma
torna-me sempre aquela que, mesmo sorrindo, sangra incessantemente.
 
O destino tão incerto.. em um vácuo de esperança simplesmente segue... segue a uma tentativa do nada preencher a ausência do meu tudo.
 
Dor enraizada que não para... só quando estou contigo, minh’Alma se acalma...
 
Teu olhar não me deixa... teu desespero não me larga...
eu sei como me amavas... me contavas... não me deixavas...
E agora pago eu o preço da covardia!
Paguei e ainda pago tudo que te fiz no passado!
E te amo tanto que sequer concebes imaginar !!!
Tens uma breve ideia do que faria por ti:
Morrer é pouco pra te salvar...
Viver sem ti, a própria cova torna-se desejo.

De tanto te amar, te magoei!
De tanto te idolatrar, me rebaixei!
Essa foi a causa de um dia eu te deixar.
Porém não entendia que o corpo se deixa, mas, a alma... ninguém a desenlaça.
 
Os ventos dispersam o gritar silencioso de meus lábios...
O gritar que desesperadamente TE AMO!
O gritar que somente tua presença  PRECISO!
És mais vivo que eu em mim!!!
 
O imutável de minh’Alma é essa Paixão por ti!
Tua imagem jamais me deixa!!!
Teus olhos em meus pensamentos JAMAIS SE FECHAM!
Tua voz é meu consolo dos ventos!!!
É humanamente impossível ser mais tua do que já sou!
Minha promessa é ardente, certa, sólida... TE AMO ETERNAMENTE E AINDA MAIS!!!
 
Presa a uma realidade, 
minha voz se cala,
 meu olhar se apaga 
e o tempo , assim.... simplesmente passa.
Poema de Della Coelho
Imagens: google.com ( Ralph Fiennes em Wuthering Heights )

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

POEMA INFERNO - da Poeta Gardênia




Você me pergunta como dói?!
Dói cada segundo sem suspirar de amor
no lugar, um desalento
um mundo sem cor


Dói olhar o horizonte
e ver nele o nada
um vazio que agoniza a alma
uma tortura por Dante descrita
cujo fogo consome minha inocência
neste inferno em plena vida


Doem os sentidos corrompidos
pela desgraça do amor não correspondido


Se eu amei?!
Ah! amei, louca...
os olhos agora não encontram mais os seus
só o salgado mar de abundantes lágrimas


Dói a lembrança das doces promessas
e das mentiras


Se você existiu?
Não sei...

autoria: Gardênia
Imagem: google.com

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

NUVENS SOMBRIAS


Dói minh’Alma em desassossego.

Uma vez mais nova chance a sina te deu.
E o que fizeste?
Arrancaste-me novamente dos braços teus.

Novamente... uma vez mais...
do lado de fora me trancaste
gritando em uníssono
para que longe de ti eu ainda mais me distanciasse.

E agora?
O que resta?

Um coração pela dor fragmentado.
Um conto de fada com o Final Feliz pela Luxúria despedaçado.

Estávamos, pela pureza de Nosso Amor,
do Pecado protegidos.
Do ardor, pelo teu gesto maculado,
temos plantado o sofrimento nascido.

Feito nossos primeiros pais
que ao fruto proibido cedeu,
compraste nosso inferno
pela soberba do canto teu.

Se querias a uma cética vida sentir,
foste vitorioso na conquista de teu agir.
Mas se ansiavas ao Grande Amor exultar,
fechaste a porta que o levarias ao céu desfrutar.

Conheço-te feito a palma de minha mão,
sofro porque transformaste Nossas Vidas na mais fria solidão.
Olho de baixo porque te ergueste na gangorra dos sentidos,
escondo-me já que sei que de mim afastaste teus ouvidos.

Seria tudo tão mais fácil se ao Amor pudesses ceder!
A felicidade da espera seria a Razão de nosso escrever.
Resta-me em uma prece implorar
que seja enfim aniquilado este meu desejo de te amar.

Se ao menos uma pequena certeza pudesse eu ter,
te esperarias até que findasse o último sopro de meu nascer.

Nesta noite, em desespero, busquei no céu teu sentimento desvendar.
Mas... meus olhos nublados  não viram nem sequer uma Estrela
que pudesse alguma Esperança me dar.


Poema de Della Coelho
Imagem: http://docecomoachuva.blogspot.com/

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

ORIGEM


Extenuada nas Rochas intempéries me transcrevo,
alinho minhas Estadas no extravio de meus Começos.

De onde fui agora?

Enxaguar os fósseis na falange dos desejos
masturbados em mesquinhez do recomeço.

Adentro na aurora de um ventre enrugado.


Poema de Della Coelho
Imagem: Salvador Dali

PESADELO



Estilhaços de exaustão me compõem
e congratulam-se com os míseros ratos enfadados no cárcere aberto.

Restauro-me no lodaçal sobrado da sede
de ascos ancorados na vertente gástrica do medo.

Retém-me a fúria seda de meus pecados no disfarce cínico de desvelos.

Acuda-te que é hora!
A tela resgata tuas dobras alinhavando-as no viés de teus passados.

Grita que ainda é sobra!



Poema de Della Coelho
Imagem: Explosão- Salvador Dali

Fin



O cansaço redobra minha carne
onde as vésperas nos afligem
a imaginar o mar do vácuo intransponível pela lanterna esfumaçada da temperança.

Que queres?
Queres de mim aqui?

Atras... s... sado...

Foi-se o tempo.


Poema de Della Coelho
Imagem; google.com

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

RUPTURA


Estive a todas as Luas com vestes desenganadas?
Das promessas que sinto eram somente brisas transtornadas?
Não podes à minh' Alma amar
se somente fazes a meus lábios ignorar!

Cala e mata-me tétrica constatação:
a ti nada mais sou que uma insígnia diversão.

Em que entranha descansam os Olhos Azuis  de meus versos esmagados?
Sereis mesmo, na insanidade, o bálsamo pelos meus destroços inventado?!

Posicionaste-me sob a escala abaixo de um degrau inferior...
Só resta-me agora afastar-me de ti
para não Morrer-me em Vida de Dor.

Poema de Della Coelho
Fonte:  http://docecomoachuva.blogspot.com/2011/11/chanson-jacques-prevert.html

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

SENTENCIADA


Anseio pelo cristal enluarado
a trazer-me tua presença a tonalizar minh' Alma.
Teu olhar a vislumbrar meu vazio.
Tua pele eriçar em meu toque
Teu sorriso cobrir-se em meus lábios.

Necessito de teus defeitos em minha chaga,
tuas manias a disciplinarem minha fadiga,
teus abraços a conduzirem meus espaços.

Tudo é mártir no caos de tua ausência.
Tudo é pedra no silêncio de tua distância.
Tudo é mortalha se o meu Tudo me reduz a nada.

O desespero é o grito inaudível de minhas desgraças
a encontrar-te no abismo de tuas jornadas,
recolhendo de tuas lembranças a febre antes a nós pelos céus consagrada.

Volta-me agora...
Acuda-me em nossa fantasmagórica morada...
Sou a que me fiz eternamente a tua criada.

ACORDA teu espelho...
ACONSELHA-O  a vir de volta à Lua Esverdeada
MOSTRA-ME  a ele...
DESENHA-LHE a cor de minhas Estrelas...
SOPRA minha melodia em tuas entranhas...
SUPLICA-LHE a RECONHECER-ME!!!

em vala descomum desfaleço...
traço indigente estendido...

Não me vês!
Não me ouves!

SOUEUSOUEUSOUEUSOUEUSOUEUSOUEUSOUEUSOUESOUEUSOUEUSOUEUSOUEUSOUEUSOUEUSOUEUSOUEUSOUEUSOUEU
AQUI!!!


NÃO

           Me


                      v . . .



                                ê . . .


 

    s






Elucida a chuva embaçada em minhas Lágrimas.


            
        
Poema de Della Coelho
Imagem:  http://docecomoachuva.blogspot.com/  ( VISITEM- BLOG MARAVILHOSO)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Blue



Amanheceu minh’ Alma dolorida e extenuada
feito a pétala prestes a ser despedaçada.

Um verso ou quem sabe nem uma Razão
fazem brotar de meu cansaço regatos frescos de solidão.

Em jornada já tênue e abatida
arrasto-me em frangalhos por estas sequelas da vida.

O vácuo é o companheiro em lazer
preenchido somente com a sombria névoa de meu gemer.

O esvaziar de meus seios crescem em lânguido tormento
e nada mais há que me salve deste sepucral sofrimento.

Que sentido pode haver nestas páginas prosseguir
se já conheço o final de que meus lábios jamais irão Florir?

Do veludo das Flores fui nestes ares poupada
e o arranhar das pétalas é a minha única surpresa ganhada.

As grades lacradas condenam-me em Desesperança,
os portais conduzem-me a uma nova aliança.

É tudo mentira o que tua Alma faz-me acreditar?
Por que teu corpo alimenta que invento erroneamente um além-mar?

O Eterno em um outro ser pode mesmo morrer?
Aceitar essa sina conduzir-me-á ao fiel desfalecer.

Desisto de em espinhos me embrenhar...
está definitivamente fechado o caminho para a Felicidade eu encontrar.

Solto a bandeira do Amor presa em minha Esperança chagada,
o Desamor é a Verdade a meus olhos escancarada.

Anoitece noites e noites... dias e dias...
E em prantos continuarei aqui olhando nossas Estrelas sem nenhuma alegria.

Poema de Della Coelho
Imagem: google.com


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

SANGUE & FEL


Esmorece a nódoa enternecida
por vil constatar do feito humano
do pobre que a atirava  ao fero insano
nas farpas a maldita o sorveu à vida.


À Fortuna a agonia já crescida
cegava o ardor do peito ufano
ao silêncio ante o gesto hostil, profano
que embalde jazia a gente estarrecida.


A espada é o portal de um ascender...
O sangue é a fiel fonte de um crescer...
Débil consolador de um lamento!


Árdua Cruz é o tornado a me acolher...
Mísera angústia é esta  Flor a adoecer...
Minha sina é esvair-se em sofrimento.

Poema de Della Coelho
Imagem: google.com

sábado, 8 de outubro de 2011

INTENSA SAUDADE


Esta ferina dor que me angustia
acresce em furor a cada momento,
banhando-me do pranto ao lamento
e arrastando-me insana em Terra Fria.

A brisa chora o acalento do dia,
raiado nestes cruéis laços de tormento,
ao deflorar o véu do esquecimento
conduzindo-me aonde o Sol ainda ardia.

Leva-me, Sina, aos passos de outrora!
Deixa-me ser a escolhida Senhora!
Enquanto a fé ainda é o meu caminho.

Alivia-me desta farpa sonora!
Sopra meu pranto até aonde ele mora!
Quiça assim sejam seus braços meu ninho.

Poema de Della Coelho


Imagens: google.com
(John Travolta e  mulher desconhecida)

domingo, 18 de setembro de 2011

DECEPÇÃO



 
A seiva, outrora em lavor sentida,
dissolve-se em agouro sombrio
à vista infame de um setembro frio
moldado pelas neves da partida.
 
Em ânsia ao rubor de uma jazida,
forja em sangue o imutável brio,
salvo pelas dores de um arrepio
ao ar da sanidade assaz perdida.
 
A exaustão deita-se ao colo do saber,
nítido é o fio de um arrefecer
em lágrimas poupadas de ternuras.
 
Se  o mísero sopro de um crescer
espalha-se nos males de um sofrer,
esquece-se dos votos de venturas.  
 
Poema de Della Coelho
Imagem: google.com
 

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

POEMA SEM NOME



Em busca do sabor de teu beijar,

segui em desespero à minha essência encontrar.



Transpus vales, atolei-me em areias;

mas tua face estava sempre lá a livrar-me das ferinas teias.




Teus olhos celestes a brilhar de amor

lavavam-me das angústias que me assolavam na dor.




Por mais funda a treva enrijecida

mais brilhava a minha paixão por ti ainda mais enfurecida.



Ao andar de costas em meio ao caos profundo

tornas o único equilíbrio a centrar-me neste mundo.




Meu toque cálido enevoado pelo Luar

está acorrentado eternamente ao êxtase 
de ver-me para sempre à luz de teu olhar.



Poema de Della Coelho
Imagens: google.com
( John Travolta no filme Os Embalos de Sábado à noite continuam e a outra mulher desconhecida.)

domingo, 21 de agosto de 2011

SONHAR?


Sonhei um sonho Eterno de outra vida
Sonhei já tanto esmorecida

Sonhei um sonho de criança
Sonhei aquele sonho que guardo na lembrança

Sonhei um mesmo sonho que nunca findará
Sonhei o sonho de uma vinda que jamais se realizará

Sonhei ouvir de ti uma declaração
Sonhei essas palavras que serão para sempre uma ilusão

Sonhei que em uma estrada me salvarias
Sonhei que me buscavas enfrentando as amarguras de teus dias

Sonhei que me voltarias teu olhar
Sonhei que me carregarias até o altar

Sonhei que nas dores de um parto conceberia
Sonhei que seria o amparo de tua vigília

Sonhei que serias o espelho de meu futuro
Sonhei que juntos quebraríamos todo e qualquer muro

Sonhei que me desejavas ao teu lado em missão
Sonhei que te abririas às verdades de teu coração


Sonhei acreditar que todo sonho pode e deve se realizar
Sonhei que teu Amor Eternamente fosse durar. 
 
Poema Della Coelho
Imagem:google.com

domingo, 7 de agosto de 2011

AGONIA








Em abismo de saudade encontro-me alucinada!
Resta-me a esperança já pela sina esmigalhada
O consolo é a melodia intransigente
nas desafinadas notas d`um som alto insolente.

Arrancar-me em dor não melhora
Que a febre só passa quando fala-me em sua hora.
A agonia da espera por vezes ensanguenta esta solidão
chega a lapidar-me em santa para mais cedo ouvir sua canção.

Em momentos que a fantasia de mim se aparta,
vislumbro o penhasco que de mim o afasta.
Suplica a ele que a mim se volte sua voz
se não desfaleço  frente este vazio algoz.

Texto de Della Coelho
Imagem: google.com


sexta-feira, 1 de julho de 2011

VERSOS ESQUECIDOS



Soam luas nas trevas d `um envelhecer
ao sabor do D`samor entristecido
em sedento beijo frio apodrecido,
amostra de um sinistro falecer.

Já pôde o teu laço me acolher,
mas não fui por ti o seio escolhido,
deixou-o a vagar desfalecido
apoiando-se em migalhas de prazer.

Se ainda o mundo fizesse-me sorrir...
Se ainda se curasse as dores de um partir...
Veria enfim o nascer do firmamento.

Se teus lábios lessem os lábios meus...
Se eu fosse a amada dos versos teus...
Sonharia até o meu fiel sepultamento.

Poema de Della Coelho
Imagem: google.com

quinta-feira, 30 de junho de 2011

JORNADA EXTENUADA



Um verso teu espero em silêncio...
Passo as horas com teus olhos em pensamento...
Tão calada é a dor nesta catalepsia,
querem que eu saiba que serás para sempre minha eterna agonia.

Impossível desta ânsia por tua presença me libertar,
porém a sombra quer o meu olhar de tua face me afastar.
Luto bravamento contra o martírio induzido,
mas tua distância deixa por vezes meu pequeno ser confundido.

Enevoadas idéias assolam meu querer
deixando-me  à mercê desse terrível escarnecer.
Proteção tenho pedido ao acordar em armadilha;
no entanto, sinto-me solitária  nesta batalha farroupilha.

Ajuda-me, meu Amor, a não perder a Esperança;
se verdadeiramente me amas, refaça-me as promessas que nunca saem de minha lembrança.
Desfaleço em frangalhos neste perverso caminhar,
não mais suporto  seguir sem saber que caminhas para os meus lábios acariciar.

Poema de Della Coelho
Imagem: google.com

quinta-feira, 23 de junho de 2011

HISTÓRIA DE AMOR - FINAL



CAPÍTULO 5

A propriedade da família de Givan era muito diferente de onde viera Jacquelline. Ainda muito jovem, ele a herdara de seu avó e devido às desavenças com o pai, instalou-se ali como forma de se afastar da família. A esposa sabia que ele tinha uma irmã mais velha que dificilmente os visitaria embora tenha ocupado o lugar de mãe de seu marido, após a morte desta.
Viviam em um casarão antigo, um pouco próximo de um lago e um tanto afastado dos parentes vizinhos.  
A cada dia crescia o ventre de Jacque e o carinho entre os dois. Dormiam durante toda a noite abraçados e não era raro que um acordasse o outro entre beijos somente para contar-lhe o quanto era amado. O despertar era a promessa de mais felicidade e mais motivo para estarem próximos um do outro. Quando Givan tinha de resolver algum problema distante de sua esposa, as horas se arrastavam e ambos corriam com seus afazeres, esta para não enlouquecer de saudade, aquele para voltar correndo aos braços sonhados.
Quando estavam juntos riam das menores situações, caminhavam na relva como antes, no entanto, agora mais lentamente pelo avanço da gravidez e abraçados, viam, em silêncio adorado,  o pôr do sol.
Givan era um homem brilhante, mas rústico para demonstrar seus sentimentos, estava a cada dia mais emocionado pelo filho que viria, mas muitas vezes não sabia como expressar esse amor que já transbordava em seu peito. Como forma de expor esse sentimento, acariciava diversas vezes o ventre crescido de sua esposa e tentava, através de suas mãos, passar ao filho o quanto ele era amado e esperado. Em segurança, Adrian sabia que seria muito bem-vindo e completaria a felicidade de seus pais. O filho já era parte deles como se, mesmo antes da concepção, ele já completasse a vida dos dois.
E assim seguiram os sóis e as luas. A gravidez transcorrera normalmente, a jovem mãe pouco engordara e estivera bem disposta até pouco antes de seu filho ver o  brilho verde de seus olhos.
Era uma noite do segundo mês no início daquele ano de 18.., dormiam com a janela aberta sob a luz da Lua, que entrava prateando o quarto, quando Jacquelline sentiu as primeiras dores do parto. Givan, marido e pai dedicado, já deixara de sobreaviso na região uma parteira que os ajudaria.  Não abandonaria Jacquelline naquele momento por nada, pediu a um empregado que buscasse a ajuda e ficou acalmando sua esposa enquanto tentava controlar seu próprio nervosismo.
Ao chegar, a mulher tratou de expulsar o homem do quarto e pôs-se a fazer seu trabalho com eficiência. E foi assim, após algumas horas de dor, chegou a  felicidade e mãe pôde segurar o filho em seus braços. Era a criança mais linda que os pais já haviam visto e essa beleza aumentava a seus olhos a cada dia.
O mundo passou a girar em torno do menino.
O primeiro abrir de olhos...
O primeiro sorriso...
O primeiro susto...
O primeiro sentar...
O primeiro engatinhar...
O primeiro andar...
Mas sempre... sempre!.. o abraçar e beijar.
Enquanto o pai trabalhava organizando os afazeres, a bebezinho era cuidado pela mãe.
Alguns domingos visitavam a tia Noelle, mas ela andava envolvida com os preparativos para seu próprio casamento que aconteceria em breve, por isso cada vez mais seguiam suas vidas nas brisas azuis do lar.
Adrian era muito apegado à mãe, mas sua grande fascinação era o pai.  Este procurava, mesmo estando muito ocupado com colheitas e ordenhas, estar sempre em casa com o filho. Muitas vezes, a mulher não os encontrando dentro de casa, da varanda via-os passeando pelo campo,  era a expressão da felicidade com o filho sentado em seu ombro. À noite Givan que o fazia dormir, embora não fosse raro encontrá-lo adormecido entre o casal.
A esposa era uma boa dona de casa, embora meio atrapalhada com tantos serviços que uma criança pequena requer, no entanto sempre pôde contar com o  socorro do marido.
Foram anos em que a colheita era o amor e a paz.
As inseguranças de Jacque não tinham de todo desaparecido. Quando contou à tia sobre sua gravidez, ela dissera, na época preocupada com o futuro incerto da sobrinha, que Givan só se casaria com ela porque estava grávida. E isso muitas vezes vinha em sua mente, mas afastava com veemência ao ver a felicidade que desfrutavam. Ela pouco sabia da família do marido, não compareceram ao seu casamento e ela nunca encontrou nem sequer uma correspondência entre eles. Com receio de falar sobre algo que o ferisse , ficava em silêncio na esperança de um dia que ele falar algo.
Passaram bons e maus momentos juntos. Noelle sofreu muito pelo rompimento de seu noivado e Givan mostrou-se um grande amigo. Jacquelline ficou muito triste com tudo o que aconteceu com o casal,  ela tornara-se também amiga do noivo, Daniel. Como apoio, a presença na propriedade dos Vallee tornou-se mais assídua.
Certa vez um telegrama mudou a rotina dos Galle. 
Era de Fratelli.
A companhia que apresentaria Shakespeare estava em Nice fazendo a seleção e a mensagem indicava o dia, a hora e o lugar em que precisavam se encontrar.
O teatro não era algo que Jacquelline apreciasse, fazer teatro fazia parte dela. Givan, conhecendo-a como a conhecia, apoiou-a completamente.
Ele a levaria e a ajudaria no que fosse preciso, quando ela estivesse ausente, cuidaria de Adrian.  O que intrigava a mensagem é que Fratelli havia dito para ela chegar vestida de homem e usar o nome de seu irmão- Jacques.
Enfim,  lá estavam todos na hora marcada e no local. Jacquelline jamais deixaria de cumprir uma orientação da amiga, sabia que deveria ser importante.
Fratelli  estava praticamente irreconhecível de homem e quase conseguiu enganá-los se não fossem aqueles olhos  e seu jeito eufórico. Após falarem um bom tempo ao mesmo tempo que riam, se abraçavam e fofocavam, a italiana explicou que selecionariam somente homens para o espetáculo. A indignação das duas estava evidente ao marido que se divertia assistindo-as enquanto saboreavam um delicioso café nas redondezas do teatro. Agora tratava-se de uma questão social, precisavam conseguir o papel e provar que uma mulher pode ser tão boa ou até melhor que um homem. Entravam em ação novamente  “As Meninas Fratelli”.
O mais difícil foi imitarem meninos nos bastidores, mas quando estavam no palco foram indiscutivelmente as melhores ou "os" melhores. No final, quando foi anunciado que  conseguiram os papeis, ambas tiraram suas perucas e maquiagem e mostraram a todos que eram meninas. Apesar da raiva de muitos, a ousadia fez o diretor sorrir e admirar ainda mais as duas  atrizes à sua frente.
Estavam no espetáculo “A Megera Domada”de Shakespeare.
Finalmente chegou o dia do espetáculo. Na última semana, foi necessário que permanecesse em Nice. Hospedou-se junto com Fratelli. Givan e Adrian vinham visitá-las, mas pelo filho ser ainda muito pequeno, Givan ficou a maior parte do tempo na fazendo cuidando dele.
Finalmente chegara a estréia. Primeiro Jacquelline maquiaria Alexia e depois seria maquiada pela amiga. Estavam muito nervosas, a apresentação seria no teatro mais tradicional da Provença e toda a alta sociedade estaria presente. A noite seria decisiva para a carreira de ambas, sabiam que, naquela noite,  pela brilhante atuação, alcançariam o sucesso talvez até fora dos limites franceses.
Quando estavam prontas, a porta abriu-se e disseram que alguém queria falar com Jacquelline.
A jovem assustou-se a ver, no final do corredor,  totalmente transtornado o ex noivo de Noelle.Correu até ele.
- Daniel?! O que houve? Aconteceu alguma coisa?
- Ainda não, mas vai acontecer.
- O quê?!! E com quem?
- Com a Noelle! Precisamos fazer alguma coisa!
- Calma, me explique o que está acontecendo.
- Sua tia é muito poderosa e tem diversos inimigos, você sabe...
- Eu sei disso, fala logo!
-  Ela está vindo assistir o espetáculo e há uma emboscada preparada para matá-la.
- O quê?!!!!!!!!
- Sim, precisamos avisá-la!
- Mas por que você não foi direto lá, ela já deve estar vindo?!! Eu sei que virá com o irmão e a cunhada!!! Meu Deus!!! Você devia ter ido diretamente avisá-la!!
- Você se esqueceu de que não me deixam entrar na propriedade e, depois de ter agido mal com ela,  não acreditariam em mim?!!
- Daniel, isso é muito sério! O que  faremos?
- Podemos ir nós dois alertá-la, ela ouvirá você.
Jacquelline olhou para o corredor que a levaria até o palco, mas o momento de hesitação foi muito rápido. Sem avisar ninguém, saiu pelos fundos do teatro e nunca mais retornou ao palco como atriz.



CAPÍTULO 6

Embora a carruagem aproveitasse todos as forças dos belos cavalos, parecia que caminhavam em meios passos. Não viam nada, somente as folhas das árvores mal alumiadas pelo tênue luar, única luz a clarear a estrada.
Andaram um longo tempo e nada encontraram, rezavam para que Noelle ainda estivesse na fazenda, mas ao chegar aos limites onde ficava um vigilante, soube que ela saíra já há muito tempo, Jacquelline deixou-os a par do que estava acontecendo e retornou ao veículo onde estava seu acompanhante.
- Daniel, há outro caminho que ela poderia ter seguido?
- Não, Jacque, só há este para Nice.
A moça estremeceu.
- Temos então de voltar e procurar algum vestígio de desvio na estrada.
- Sim, eu sei.
Ambos estavam com ares sombrios pelo que provavelmente os esperava.
O rapaz deu ordem ao cocheiro para seguir à cidade e foi ao seu lado buscando algum indício que lhe desse alguma pista se algo ocorrera. Foi Jacque, que olhava pela estreita janela, que viu um rastro desviando-se para a floresta.
Pararam;  Jacque, ainda mais assustada ao ver uma arma nas mãos do amigo, seguiu-o em silêncio. Nada se ouvia, entretanto foram seguindo alguns sinais de recém passagem por ali, entraram no bosque, o luar parecia mais claro por ali. Não precisaram andar muito tempo, logo avistaram uma carruagem parada. Foram cautelosos ao aproximarem-se e a reconheceram como sendo de Noelle...contornaram-na lentamente, Daniel trazendo a amiga pelas mãos, e foram ficando petrificados com a cena que se mostrava, o velho cocheiro da família havia sido arrastado à frente do veículo e estava imóvel pelo estrangulamento que o matara, próximo dali encontraram dois corpos ensanguentados- Jacquelline recoheceu-os como o irmão e a cunhada de Noelle - voltaram seus olhares para além da carruagem e viram pés femininos, chegaram mais perto e a imagem da bela loira com um ferimento de punhal no pescoço, apresentou-se a ambos. Jacquelline jamais havia sentido tanto terror, nem mesmo quando vira a mãe desfalecida. O sangue banhara todo o corpo pálido de Noelle cravando irreversivelmente a cena dantesca na alma de quem a presenciara . A dor da perda fez-se concreta naquele instante e ali permaneceram- ela em prantos, ele em choque - até que os serviçais, anteriormente alertados por Jacquelline, os tiraram daquela imagem tétrica.
Jacquelline mal soube como passara aqueles dias. Por ser parente, voltou à mansão umas três vezes antes desta ter sido vendida, no entanto guardou em seu coração todos os momentos que ali vivera com todos que amara.








CAPÍTULO 7

O tempo cicatrizou as feridas e os dias voltaram a ser alegres.  Sobre o espetáculo, o garoto que a substituíra estava longe de superá-la , mas isso não impediu que Alexia  brilhasse em Veneza; naquela mesma noite, esta recebeu uma proposta irrecusável de uma companhia italiana. A saudade de sua eterna amiga a acompanhou até seu leito de morte.
Os tempos, no entanto, são tempos felizes...
Adrian era cada dia mais amado e estava cada vez mais lindo. Tinha os cabelos com cachos entre o castanho-escuro e o negro, em seus olhinhos herdara o verde de sua mãe, porém mesclado com a tonalidade de seu pai. Era dócil e esperto ao mesmo tempo, sempre estavam brincando, se abraçando e raramente os pais precisavam chamar-lhe a atenção.
Um dia , porém, Adrian, já com 4 aninhos, brincava com Jacquelline no quintal. Estavam  próximos ao poço que abastecia a casa. A mãe pegou o filo no colo entre beijos e brincadeiras e  sentou-o na coluna de sustentação da abertura e jogou o balde para pegar a água. Quando a vasilha já estava quase chegando, Adrian, com a destreza de uma criança, virou-se para ajudá-la a puxar a corda e em um gesto muito rápido perdeu o equilíbrio e em confusão com os braços de sua mãe, caiu...caiu dentro do poço profundo. A mãe, em desespero e gritos,  viu-o  afastando-se cada vez mais de seus braços para todo o sempre. A água que subira com a queda da criança lavou a sanidade da que àquela cena, em profundo desespero, assistia.         
Ninguém estava por perto e, entre gritos e prantos, conseguiu encontrar o cocheiro que viera ampará-la, avisados pela senhora que o acompanhava, em segundos que lhe pareceram horas todos rodeavam o poço na vã tentativa de ainda salvar a criança.  Givan, que estava  trazendo provisões para casa, chegou quando o corpo de Adrian já havia sido retirado do poço. Jacquelline não saberia dizer qual dor era maior- se a da perda de seu único filho ou a  que viu nos olhos de seu marido.
Nada mais tinha a fazer naquela casa, perdera seu filho amado, não cuidara direito do filho de Givan, precisava ir embora dali. Ela jamais se perdoaria por isso.



CAPÍTULO 8 

No primeiro dia que Givan precisou ausentar-se após a tragédia, Jacquelline com praticamente a roupa do corpo partiu, em uma velha carruagem já de pouco uso, para a região sombria de Nice.  Vendeu,  a um preço irrisível, o cavalo e tratou de buscar um local que pudesse se abrigar. 
Após andar por horas, entrou em uma taverna para descansar um pouco. Soube que tratava-se de um bordel, mas que o dono tinha quartos para alugar por um bom preço e não muito distante. Instalada, noites e dias se misturavam pelo vinho, no entanto o pouco dinheiro de Jacque estava acabando. Quando anestesiada pela bebida, conseguia assumir um personagem não depressivo como estava e  fazia amizades conseguindo até mesmo rir. Uma delas foi-lhe a verdadeiramente apreciada, Josephine, uma das garotas do bordel. Era diferente das outras, apaixonara-se perdidamente por um dos mais ilustres frequentadores do local- um duque. Estava certa de que ele a tiraria dali e se casariam, passava horas contando suas aventuras para Jacquelline. Ambas estavam ligadas pelo infortúnio, mas Josephine ainda tinha a esperança de um futuro feliz.
- Mounsier Frontin está procurando uma cantora para o bar, eu o ouvi pedindo à Madame que lhe indicasse uma de nós. Você poderia tentar.
- Sim, aprendi a cantar no convento.
- Você era freira?!!!
- Não, claro que não.Mas seria só cantar mesmo ou algo mais?
- O algo mais depende de você..
- Não vou me prostituir, mas preciso de dinheiro.
Jacquelline conseguira o emprego de cantora e enquanto os fregueses sentavam, bebiam e escolhiam as mulheres para a noite, ela chorava as dores de sua alma naquele palco. Às vezes  via aqueles olhos azuis seguindo-a na penumbra , mas estava tão embriagada que nunca conseguira saber se não eram alucinações. Às vezes acordava nos braços de homens que jamais vira, homens que o ópio ajudara na escolha.
Em uma das noites tentara manter a sobriedade por um longo tempo, tratava-se de uma ocasião especial. Josephine descobrira estar grávida e contaria ao duque. E o fez na frente de todos. E na frente de todos ele desmoralizou-a, humilhou-a, negando qualquer envolvimento amoroso ou mesmo de conhecimento com sua amiga. Se tivesse conseguido ficar um pouco mais tempo sóbria, Jacquelline teria reparado que a boca dizia uma mensagem diferente de seus olhos amargurados.
No outro dia, Jacquelline foi despertada em seu cubículo por uma das criadas do bordel. Josephine  suicidara-se na madrugada anterior.
Cada vez mais seus dias ou noites turvavam-se entre risos de um menino de olhos verdes, tabacos, vinhos e aquelas olhos azuis que jamais a deixavam.  Ao ver sua alucinação cantava  suas dores olhando para ela e era quando mais a aplaudiam. Percebia, cada vez mais, que vinha uma mulher roubá-los e a odiava por isso. Era tudo que ainda tinha e uma desconhecida os roubara dela.
Não tinha lucidez suficiente para compreender que a irmã de Givan sacrificara uma vida com sua própria família para cuidar do irmão que jamais superou a perda do filho e da esposa. Essa dívida de gratidão guardaria com ele até que pudesse saudá-la.
Parecia fácil embriagar-se, bebia e fumava o salário da casa. Os momentos mais difíceis eram a vinda no outro dia até a taverna mais próxima para assim anestesiar-se o mais rápido possível. Não conseguia superar poucos minutos de lucidez. Naquela manhã passou em uma venda de onde levou para o quarto uma garrafa e um frasco de veneno.
A madrugada envelhecia e Jacquelline ainda não dormira, o rum embrulhava seu  fígado exausto impedindo-a de desmaiar, as lembranças tornavam, o grito de Adrian ainda podia ser ouvido, precisava beber mais, tantas e tantas vezes as palavras reviravam-na “se eu tivesse segurado direito..”, “não deveria ter ido pegar água...”, “deveria tê-lo deixado dentro de casa.”, “Givan jamais me perdoará, eu matei o filho dele...o meu filho... o nosso filho.”
Olhou em volta da velha cama de casal onde estava deitada no cubículo imundo que a abrigava, a visão turva pelas lágrimas de repente clarearam-se com a visão de um objeto...
Os olhos verdes ainda com brilho se voltaram ao líquido da garrafinha que comprara naquela manhã. Sem pensar, Jacquelline tirou a minúscula rolha que a impediria de morrer e sorveu-o todo, irreversivelmente, de uma só vez.



Texto de Della Coelho
Imagens: google.com


 "No sagrado mistério da vida, cada coração possui no infinito a alma gêmea da sua, companheira divina para a viagem à gloriosa imortalidade.
          Criadas umas para as outras, as almas gêmeas se buscam, sempre que separadas. A união perene é- lhes a aspiração suprema e indefinível. Milhares de seres, se transviados no crime ou na inconsciência, experimentam a separação das almas que os sustentam, como a provação mais ríspida e dolorosa, e, no drama das existências mais obscuras, vemos sempre a atração eterna das almas que se amam mais intimamente, evolvendo umas para as outras, num turbilhão de ansiedades angustiosas, atração que é superior a todas as expressões convencionais da vida terrestre. Quando se encontram, no acervo dos trabalhos humanos, sentem-se de posse da felicidade real para os seus corações a de ventura de sua união, pela qual não trocariam todos os impérios do mundo, e a única amargura que lhes empana a alegria é a perspectiva de uma nova separação pela morte, perspectiva essa essa que a luz da Nova Revelação veio dissipar, descerrando para todos os espíritos, amantes do bem e da verdade, os horizontes eternos da vida.
      A ligação das almas gêmeas repousa, para o nosso conhecimento relativo, nos desígnios divinos, insondáveis na sua sagrada origem, constituindo a fonte vital do interesse das criaturas para as edificações da vida.
      Separadas ou unidas, nas experiências do mundo, as almas irmãs caminham, ansiosas, pela união e pela harmonia suprema, até que se integram, no plano espiritual, onde se reúnem para sempre na mais sublime expressão de amor divino, finalidade profunda de todas as cogitações do ser, no dédalo do destino."
(O Consolador ns. 323 e 327 - Immanuel)






quarta-feira, 8 de junho de 2011

HISTÓRIA DE AMOR - CAPÍTULO 4




CAPÍTULO 4

Jacquelline estava radiante e Noelle irritada por ter de organizar um casamento tão rapidamente. Givan fez questão de cuidar de todas as despesas, a tia somente assumiu o custo da roupa da noiva.
A cerimônia foi realizada na Igreja construída na fazenda há décadas. A futura mamãe conseguiu avisar sua grande amiga do convento, esta chegou eufórica uns dias antes  para matar as saudades da companheira. No entanto, tantos eram os afazeres que mal tiveram tempo para contarem tudo que lhes acontecera enquanto estiveram distantes.
- Jacque, e o teatro?
- Depois que meu filho estiver maior, eu continuo.
-No próximo ano, farão um grande espetáculo e é aqui em Nice. Shakespeare!
- Sério?! Como você sabe?
- Tenho meus informantes, você me conhece.
- Que informantes, Fratelli? Presa no convento?
-  Ah, está bem! Uns amigos meus de Milão me contaram, estão se preparando para virem pra cá e fazerem o teste. O diretor quer primeiro encerrar seu espetáculo em Paris e depois se mudará pra cá.
- Então, eu poderei tentar, até lá meu filho estará maiorzinho.
- Ah, Fratelli, será nossa chance de brilharmos.  Eu sabia que você estaria nessa também. O papel já é nosso!!!
- Fratelli, você nem sabe...
- Sei sim, ninguém segura nós duas juntas, pode apostar!
Conhecendo a amiga como Jacque a conhecia, sabia que o melhor seria calar-se. Logo mudaram o assunto para a festa de casamento, no entanto sabiam que o plano em atuarem juntas estava somente adiado devido às circunstâncias; mas, no devido tempo, voltariam a falar em uma forma de participarem do espetáculo.
Como sempre, Alexia foi quem maquiou a amiga, Jacquelline estava linda, exibia um simples vestido que disfarçou – com muito esforço - o ventre crescido que já aparecia. Seus cabelos foram parcialmente presos para realçarem seus olhos e emoldurarem sua face com cachos enfeitados por delicadas flores lilases. Trazia um buquê de flores silvestres e optou por não usar o véu, o qual simboliza pureza e prova de virgindade.
O  casamento realizar-se-ia pela manhã, assim passariam o restante do dia em um almoço festivo oferecido pelo noivo na casa da tutora da futura esposa. Dessa vez seria feito próximo ao lago, várias mesas foram postas na relva e o dia sem nuvens já mostrava o quão seria perfeito.
Foi o som de um violino que anunciou a chegada da noiva e todos olharam para a entrada ansiosos para vê-la. Ao entrar, tudo o que Jacque pôde ver foram os olhos brilhantes de Givan a olhá-la. Seria seu caminhar para a promessa eterna de seu amor ser selado pela lei dos homens e pela lei divina. Foi, sem dúvida, o momento mais importante de sua vida, sua promessa mais fiel. Quando se tocaram sabia que não só estavam unidos em corpo, mas também em alma. As palavras do padre já velhinho soavam como música embalando a união definitiva de suas vidas. Quando viraram-se olhando um nos olhos do outro, abriram os lábios e fizeram suas vozes soarem a promessa eterna para os ali presentes propagando-a ao universo infinito.
- Givan Galle voulez- vous prendre cette Femme pour votre épouse, et vivre avec elle, selon l’ordonnance de Dieu, dans le saint état du Mariage? Voulez-vous l’aimer, la chérir, l’honorer, et la garder, dans la maladie et dans la santé; et, renonçant à toute autre femme, voulez-vous vous attacher à elle seule, tant que vous vivrez tous deux?
-Je le veux.
- Jacquelline Vallee Granon voulez- vous prendre cet Homme pour votre mari, et vivre avec lui, selon l’ordonnance de Dieu, dans le saint état du Mariage? Voulez-vous l’aimer, le chérir, l’honorer, et le garder, dans la maladie et dans la santé; et, renonçant à tout autre homme, voulez-vous vous attacher à lui seul, tant que vous vivrez tous deux?
-Je le veux.
            Inebriados pela cerimônia, sabiam que selavam ali um sentimento que nem a morte poderia aniquilar, destruir. As promessas daquele dia eram somente a materialização dos votos empreendidos no nascer de seus corações. 
Chegara a hora da troca das alianças. Givan fitava sua amada refletindo todo o carinho e emoção que em nada diferenciava do que ela estava sentindo. Quando pegou sua mão, o coração de menina aquecia diante de tamanha felicidade.
            - Jacquelline, mon amour... levo-te hoje e para sempre como a esposa de meu coração, voz de minha alma, prometo agora, em frente a todos nossos amigos e a Deus, que a manterei e protegerei todos os dias de minha vida e serei seu marido fiel em coração e alma para todo sempre,  estejamos felizes ou em dificuldades, ricos ou pobres, saudáveis ou adoecidos.. Je t`aime pour toujours.
- Givan, mon mari, prometo guardar eternamente em meu coração nossas promessas deste dia e serei para sempre sua esposa e o amarei enquanto tiver vida e ainda mais o amarei se na morte ainda viver. Prometo que será só seu meu coração seja na alegria ou na tristeza, na saúde e na doença, estejamos ricos ou pobres, nada disso é importante que não seja meu amor por você...  sou sua para todo sempre, Je t`aime pour toujours.
Todos ali presentes sentiam-se emocionados e no enxugar de olhos umedecidos encerrou-se a cerimônia entre risos, abraços e felicitações.
Givan e Jacquelline  passaram os primeiros dias de sua felicidade em uma casa de praia afastada de todos. Ali puderam entregar-se à paixão que os consumia à luz da Lua e ao deslumbre de maravilhosos pores do sol.
Uma semana se passara e chegara a hora de voltar para casa. 
A realidade os esperava.



Texto de Della Coelho
Imgens: google.com

segunda-feira, 6 de junho de 2011

HISTÓRIA DE AMOR - CAPÍTULO 3

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CAPÍTULO 3

            Cada dia mais apaixonados e unidos, foi em vão que a tia tentou persuadir a sobrinha a voltar ao colégio. Não conseguiria mais ficar afastada de Givan, nem ele de Jacquelline.  Estavam juntos todos os dias, separavam-se a custo nas noites após Noelle praticamente mandar o rapaz embora de sua propriedade, com isso cresceu a intimidade e amizade entre quase todos. Os enamorados mal acordavam e saíam cavalgando pela relva até encontrarem um lugar aconchegante que lhes perfumasse promessas de felicidade e compromisso eternos. A volta para casa e as horas dormidas longe um do outro estavam se tornavam cada vez mais penosas.
            - Meu Amor, já é hora de eu levá-la.
            Passaram o dia no campo, Givan deixara os poucos empregados cuidando de sua propriedade e resolveram dedicar todos os momentos um ao outro. Levaram frutas e bolos para alimentarem-se o que lhes renderam um delicioso piquenique embaixo da  grande árvore sobre a colina que normalmente os recebia nas horas do caloroso sol.
            Já era noite alta, a brisa era refrescante, mas não estava úmida naquela noite. Jacquelline deitava em um dos ombros amado e ambos olhavam o céu estrelado sentindo o amor e a felicidade que os unia. Viam a Lua radiosa e as Estrelas em volta, uma brilhava mais em especial.
            - Não consigo imaginar minha vida sem você, Gi.
            - Não conseguimos, porque não existe vida um sem o outro, Jacque.
            - Será que você me amará pra sempre?
            Givan apertou-a com mais força.
            - Pra sempre! Você faz parte de mim, sempre a amei, sempre a amarei. – sentiu a insegurança no coração de Jacque – Meu amor, guarde pra sempre a lembrança desta noite, é nossa  em especial, guarde como aquela em que selamos nossa paixão, selamos nossa união ao universo... se, algum dia, precisarmos estar separados e duvidar de meu amor por você, olhe o céu à noite e veja nossas Estrelas, enquanto existirem Estrelas no céu, ainda haverá o meu amor por você.
            - Givan, eu te amo. Nunca me deixe...
            - Eu jamais a deixaria, Jacquelline!...  Je t`aime.
            E se amaram com a alma de quem sabia o sentimento eterno e imutável ao qual se entregaram.
           
                                                       ***
Desde a promessa naquela noite, sentiram-se ainda mais unidos um ao outro e alguns já percebiam que o que pensavam ser um namoro adolescente mostrava a consistência de um sentimento sólido e antigo.
Não podiam se entregar à ociosidade, necessitavam cumprir os afazeres diários e procuravam fazê-los juntos o máximo possível. Noelle passou a se incomodar com a sobrinha e preocupar-se ainda mais com ela.
- Jacque, você precisa terminar os estudos.
- Noelle, eu não vou sair de perto do Givan.
- Eu deixei você perder este ano, porque acreditava que logo veria que ele está somente brincando com você.
- Como?!!
- Jacque, você está apaixonada, parece uma bobinha, eu sabia que não adiantaria proibir nada que seu namoro se transformaria em um Romeu e Julieta, mas isso já está indo longe demais. Você é muito jovem, precisa estudar, não tem ninguém além de mim... e se eu faltar? Eu prometi a sua mãe...
- Noelle, o que você quis dizer com ele estar brincando comigo?
- Jacquelline, você é uma menina, ele não é tão jovem. Você faz idéia de quantas moças o cortejam?
- Mas ele me ama.
- Você não se lembra do que ele me disse naquele baile? Essas moças são mulheres elegantes, maduras... Não fique assim, eu só não quero vê-la sofrendo depois.
- Mas... eu sinto que ele me ama! Que ele é verdadeiro!
- Ah, Jacque, o que você entende de homens? Ele é seu primeiro namorado!
- Eu não entendo de homens, eu entendo de Givan.
- Você está apaixonada, mon chéri. É muito diferente.
- Não pode ser mentira!
- Não estou dizendo que é mentira, estou dizendo que é algo passageiro pra ele. Claro que ele gosta de você, mas não fique sonhando com romance. Quer ver só...ele já falou em casamento?
- Não, ainda não disse nada.
- Está vendo? Já passou da hora. Eu só espero que você tenha tido juízo heim! Bom, deixe-me ver o porquê do atraso deste jantar. Pense bem no que eu lhe disse e depois não diga que eu não avisei.
Embora as palavras da tia fizessem sentido, afinal ela era uma moça comum e ele era um homem maravilhoso que poderia ter todas as mulheres que quisesse; quando estavam juntos e ela o olhava naqueles olhos azuis sabia que algo maior os unia. Era como se um fizesse parte do outro, como se ele a completasse. O que ela sentia não podia ser mentira, era real demais para ser somente fruto de uma mente apaixonada. No entanto, as palavras da tia ficaram guardadas em silêncio no coração da jovem.
Os ventos de outono chegaram, às vezes refrescavam a fazenda trazendo algumas moléstias aos moradores. Provavelmente Jacque passava por esses incômodos, há alguns dias andava indisposta e não conseguia se alimentar direito. Preocupando-se com essa mudança repentida, Givan providenciou um médico que fez questão de acompanhar até o quarto da menina.
Aflitos,  Noelle e Givan aguardavam na sala um resposta. Marie trouxe o doutor até onde estavam, felizmente ele apresentava um sorriso no rosto que confortou-os.
- Madame, sua sobrinha espera um filho.
O rosto de Noelle desfigurou-se ao olhar para o rapaz enquanto ele não continha tamanha felicidade da surpresa.
- O senhor tem certeza que ela espera meu filho?
- Ah, então o senhor é marido dela?
- Sim, sou eu...
A mulher irritada e querendo evitar explicações agradeceu ao visitante pedindo que a criada o levasse até a carruagem, depois virou-se para Givan.
- O que você fez com ela?
- Noelle, vamos nos casar imediatamente,  nós nos amamos, você sabe... – dando-se conta de seu atrevimento ao ver a reprovação naquele olhar furioso, continuou – Por favor, peço a mão de sua sobrinha Jacquelline em casamento.
- Agora , não é? O que eu posso dizer? Mas foi um escândalo o que o senhor fez.
- Nos casaremos o mais rápido possível. Posso vê-la, agora? ...Por favor...
Jacquelline já sabia o diagnóstico e, apesar do receio do que diria o pai da criança e a tia, estava muito radiante em carregar um filho de seu amor. Não poderia haver maior felicidade neste mundo. Tocava enternecida sua barriga e já sentia a presença amada daquela criança que viera confirmar o sentimento entre os dois. Entendia agora que desde aquela noite ao luar, os dois não mais estavam sozinhos.
Quando Givan entrou no quarto e se olharam, viu o quanto ele também ansiava pelo nosso filho, que ele estava tão emocionado quanto ela. E quando ele a abraçou, ambos tinham lágrimas nos olhos.
Esse foi o primeiro dos dias mais felizes da vida de Givan e Jacquelline.

             
Texto de Della Coelho
Imagens: http://docecomoachuva.blogspot.com
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